Há
quatro anos, mais precisamente em 22 de dezembro de 2004, uma
descoberta em Israel ganhou as principais páginas em jornais de todo o
mundo: a arqueóloga israelense Yardena Alexander descobrira as ruínas da
aldeia de Caná da Galiléia, em mais um achado que corroborava ainda
mais a autenticidade histórica da narrativa bíblica sobre Jesus. Até
então, alguns céticos duvidavam da existência de uma aldeia com esse
nome naquela região do Oriente Médio.
Caná é uma aldeia bíblica mencionada em relatos marcantes das Sagradas Escrituras.
Foi
em Caná que Jesus teve um encontro com um oficial de Herodes que estava
com seu servo enfermo em Cafarnaum (Jo 4.46). O oficial, que pode ter
sido o procurador Cuza (Lc 8.3) ou o colaço Manaém (At 13.1), ou uma
autoridade menos conhecida, demonstrou uma fé marcante que extraiu
elogios do Senhor. A fé daquele homem em Jesus fez com que o Mestre
curasse seu servo à distância.
Era de Caná um dos principais
discípulos de Jesus – Natanael (Jo 21.2), cujo nome significa “dom de
Deus”. Ele era um judeu muito correto, tendo sido identificado pelo
Mestre como “um verdadeiro israelita em quem não há dolo” (Jo 1.47).
Apesar de a região da Galiléia ser conhecida na época como um lugar de
libertinagem e profundas trevas espirituais, Caná era um lugar onde
ainda havia algumas pessoas íntegras. Natanael era uma delas.
Mas, o
principal acontecimento de Caná, que fez com que ficasse conhecida em
todo o mundo, foi o fato de ali Jesus ter operado seu primeiro milagre,
transformando água em vinho durante uma festa de casamento.
Curiosamente, nos escombros de Caná, a equipe da arqueóloga israelense
encontrou também jarros de pedra do mesmo tipo dos usadas no milagre.
Nessas talhas cabem centenas de litros, como no registro bíblico (Jo
2.6).
O milagre em Caná foi tão importante que o apóstolo João o
incluiu em seu Evangelho como um dos “sinais”, forma como ele designou
os principais milagres de Jesus, que evidenciam Sua divindade (Jo 2.11;
20.30,31).
E pensar que tudo começou com um convite.
Certo dia, um
casal, provavelmente gente próxima a Natanael (já que a aldeia era
pequena) e amiga de Maria, mãe de Jesus (pois ela soube em primeira mão
quando acabou o vinho da festa), resolveu convidar o Mestre e seus
discípulos para suas bodas. João faz questão de frisar isso: “Jesus
também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento” (Jo
2.2). Este foi o primeiro grande acerto dos noivos: convidar Jesus para
sua festa.
Conta-nos a Bíblia que, a certa hora da festa, o vinho
havia acabado, preocupando os organizadores das bodas, mas Jesus evitou
um vexame para o casal. Jesus salvou a festa! Ele transformou água em
vinho. Mas, não em qualquer vinho. Segundo o mestre-sala da festa, Jesus
produziu “o melhor vinho”. Eis aqui a primeira grande lição sobre como
devemos lidar com as celebraçãos da vida: Jesus nunca deve estar ausente
de nossas festas.
O Mestre não deve ser só anelado avidamente em
meio às borrascas da vida. Sua presença é indispensável também em nossas
celebrações. Ele é - e quer ser de fato em nossas vidas - Deus dos
vales e montes; Ele quer ser o nosso Senhor e Amigo tanto no "vale da
sombra e da morte" quanto nos vértices e ápices da nossa vida.
Ainda que surjam as dificuldades, e elas vêm; ainda que o “vinho” acabe por um momento, restando apenas “água”, Jesus tem o poder de salvar a festa, transformando a água em vinho muito superior.
Lembremo-nos que o milagre só foi possível porque Jesus estava lá. Sem Jesus, não há milagre. Sem Jesus, a festa da vida perde a graça. É nEle que reside a graça, o sabor, o gosto e o prazer da existência. Ele é a Vida!
Uma das características marcantes do milagre do convidado especial é sem dúvida o fato de aquele vinho produzido milagrosamente ter sido considerado pelo experiente mestre-sala, o dirigente da cerimônia, o melhor que ele havia experimentado. “E lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora” (Jo 2.10). Essa passagem nos traz grandes lições. Aliás, todos os milagres que Deus faz trazem lições.
Você nunca vai ver Deus fazendo um milagre em sua vida sem, com isso, estar ensinando alguma coisa. Milagres não são caprichos divinos. Não são atos de Deus para impressionar as pessoas. Eles são ingredientes da pedagogia divina. São atos pedagógicos de amor. São "sinais"!
Ora, Deus é todo-poderoso, onisciente, onipresente e auto-suficiente, mas Ele só age conforme o seu caráter, que é santo. Deus só age a partir de princípios. Ele não dirige o Universo irresponsavelmente.
Deus criou leis naturais, como a da gravidade, para que houvesse ordem no Universo. Se uma dessas leis é quebrada, quem a quebrou sofre as conseqüências. Por causa da lei da gravidade, não posso saltar de um avião sem pára-quedas, porque certamente morrerei. Portanto, Deus só pode fazer um milagre, uma intervenção que quebre as próprias leis que Ele criou, por um motivo pedagógico, edificante, nunca por mero capricho.
Deus só faz milagres para trazer lições. Ele move céus e Terra para abençoar seus filhos, edificá-los, amadurecê-los, fazê-los confiarem mais nEle, buscá-lo e crescerem espiritualmente.
Quais as lições desse milagre?
A primeira aponta para o sacrifício de Cristo. O bom vinho representa o Evangelho, as Boas Novas de Salvação (Mt 9.17). Ele também representa o sangue de Cristo, que nos purifica de todo pecado (Mt 26.27-29 e 1Jo 1.7). A transformação de água em vinho fala da transformação que o Espírito Santo opera em nossas vidas através do Evangelho de Cristo (2Co 5.17). Essa é a lição básica desse milagre.
Agora, há outras lições nele. Se observarmos cada passo do milagre, o processo que Jesus utilizou para operá-lo, o ato dos serventes e o resultado do milagre, aprenderemos algo sobre o melhor de Deus para nossas vidas.
Você quer o melhor para a sua vida? Você quer “o melhor vinho”? Só uma pessoa que não é sadia psicologicamente, só um sadista, vai querer o pior para si. Todos, em são juízo, querem o melhor. Porém, como termos certeza de que obteremos o que realmente seria o melhor para nossas vidas?
Em primeiro lugar, com os serventes que obedeceram Jesus para que a festa fosse salva, aprendemos que ser obediente à ordem de Jesus é requisito indispensável para recebermos o melhor de Deus.
Deus tem o melhor para nós, Ele quer nos dar o melhor, e o melhor está disponível. Basta apenas agir corretamente para que experimentemos o melhor do Senhor. Como costumo dizer, fique à vontade na vontade de Deus.
Em segundo lugar, com a expressão do mestre-sala (“Deixaram o melhor vinho para o final!”), aprendemos também que o melhor de Deus para nossa vida está no fim. Ou seja, se você quer o melhor de Deus, você tem que ir até o fim com Ele.
Portanto, não devemos nos aprisionar no hoje. Devemos prosseguir, porque Deus tem o melhor para nós mais à frente. Sua vida não é um arquivo estanque; é uma obra em aperfeiçoamento, e Aquele que a começou é fiel para aperfeiçoá-la.
Persista em fazer o que vale a pena: a vontade de Deus. E, nos momentos difíceis, Deus não vai simplesmente transformar “limão em limonada”. Creia que Ele vai transformar água em vinho! Do pior Ele vai extrair o melhor para você.
Na festa da vida, o normal, aos olhos humanos, é começarmos com o melhor vinho e terminarmos com o inferior. Por exemplo e principalmente: começamos com saúde, terminamos cansados e alquebrados pelo peso dos anos. O homem exterior se corrompe com o tempo. É inexorável. Porém, para quem tem Jesus nas celebrações da vida, não só na velhice há frutos - bem como se é viçoso e florescente -, mas também, na Eternidade, ao terminarmos nosso combate, constatamos que, o tempo todo, Deus havia reservado para nós o melhor vinho de Sua safra para o desfecho. O vinho das Bodas do Cordeiro!







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